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Início » Tratamento de Trombose
A trombose venosa profunda é uma emergência vascular. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito e o tratamento iniciado, menor o risco de complicações graves como a embolia pulmonar e a síndrome pós-trombótica.
O tratamento é baseado na anticoagulação, que evita o crescimento do coágulo e a migração do coágulo, favorecendo com que o próprio organismo o dissolva progressivamente. Mas anticoagular é apenas parte do cuidado. Identificar e tratar a causa da trombose, prevenir recorrências e proteger a veia a longo prazo são etapas igualmente importantes.
Para entender o que é a TVP, seus sintomas e como o diagnóstico é feito: Trombose Venosa Profunda: o que é, sintomas e diagnóstico
A trombose venosa profunda não tratada apresenta dois riscos principais:
O coágulo formado na veia da perna pode se desprender e migrar pela corrente sanguínea até os pulmões, obstruindo as artérias pulmonares, podendo causar dor torácica e falta de ar, mas também pode ser silencioso. É uma das complicações mais graves e potencialmente fatais da TVP. O risco é maior nas primeiras semanas após a formação do trombo.
Na trombose venosa profunda, o coágulo pode causar dano permanente às válvulas venosas. Isso leva a um quadro crônico de inchaço, dor, sensação de peso nas pernas, alterações de pele e, nos casos mais graves, úlceras venosas de difícil cicatrização. A síndrome pós-trombótica afeta até 50% dos pacientes com trombose venosa profunda não tratada adequadamente e pode ser evitada, ao menos parcialmente, com tratamento adequado e uso rigoroso de compressão.
O tratamento da TVP tem três objetivos simultâneos:
Esses objetivos são alcançados principalmente pela anticoagulação, que torna o sangue menos propenso a coagular. O anticoagulante não dissolve o coágulo diretamente, mas cria as condições para que o sistema fibrinolítico natural do organismo faça esse trabalho com segurança.
Em paralelo à anticoagulação, o tratamento inclui compressão elástica, mobilização precoce, investigação da causa e, em casos selecionados, procedimentos para remoção ou dissolução do coágulo.
A escolha do anticoagulante é uma das decisões clínicas mais importantes no tratamento da TVP. Não existe um anticoagulante universalmente superior para todos os pacientes. A indicação depende do perfil clínico, da causa identificada, da função renal e hepática e de outras condições do paciente.
Administrada por via intravenosa, em ambiente hospitalar. É a opção preferencial em situações de maior gravidade, quando é necessário controle imediato e preciso da anticoagulação, ou em pacientes com função renal muito comprometida.
Administrada por injeção subcutânea. É a opção padrão para início do tratamento em boa parte dos casos, podendo ser utilizada em regime ambulatorial na maior parte das situações. É a anticoagulante de escolha durante a gestação.
Rivaroxabana, apixabana e dabigatrana são anticoagulantes tomados por via oral, sem necessidade de monitoramento laboratorial frequente. Representam um avanço importante no tratamento da TVP pela praticidade e pela eficácia documentada em grandes estudos clínicos. São a primeira escolha para a maioria dos pacientes, exceto gestantes e pacientes com síndrome antifosfolípide.
Anticoagulante oral mais antigo, que exige monitoramento periódico do INR para ajuste de dose. Continua sendo indicada em situações específicas, como pacientes com válvulas cardíacas metálicas, síndrome antifosfolípide ou impossibilidade de uso dos anticoagulantes mais modernos.
| Anticoagulante | Via | Monitoramento | Indicação principal |
|---|---|---|---|
| Heparina não fracionada | Intravenosa | Contínuo | TVP grave, internação ou insuficiência renal grave |
| HBPM | Subcutânea | Mínimo | Início do tratamento e gestação |
| DOACs (rivaroxabana, apixabana) | Oral | Sem necessidade de INR | Maioria dos pacientes |
| Varfarina | Oral | INR periódico | Casos específicos |
A duração do tratamento é uma das perguntas mais frequentes e a resposta depende de vários fatores.
Para TVP provocada por fator de risco transitório e reversível, como cirurgia recente, imobilização prolongada ou trauma. Quando o fator de risco é removido e o risco de recorrência é baixo, 3 meses de anticoagulação são geralmente suficientes.
Para TVP não provocada, casos em que não foi identificada uma causa clara para a trombose, TVO provocada por fatores de risco persistentes ou em casos complicados com embolia pulmonar. O risco de recorrência é maior nesses casos e a duração do tratamento é estendida após avaliação individual do risco de sangramento versus risco de nova trombose.
Para pacientes com trombofilia de alto risco, câncer ativo ou TVP recorrente. Nesses casos, o risco de nova trombose sem anticoagulação é elevado o suficiente para justificar o tratamento prolongado, sempre com reavaliações periódicas.
A decisão sobre a duração do tratamento é individualizada e deve ser revisada periodicamente pelo especialista.
Na maioria dos casos, a anticoagulação é suficiente para o tratamento da TVP. Mas em situações específicas, procedimentos mais invasivos podem ser necessários.
A trombólise consiste na infusão de medicamentos trombolíticos diretamente no coágulo, por cateter guiado por imagem, para dissolvê-lo de forma mais rápida e completa. É indicada em casos de TVP extensa e proximal, especialmente quando há risco de síndrome pós-trombótica grave ou quando há comprometimento vascular extenso, como na flegmasia cerúlea dolens e flegmasia alba dolens. Exige internação hospitalar e monitoramento rigoroso pelo risco de sangramento.
Em pacientes com contraindicação absoluta à anticoagulação e risco elevado de embolia pulmonar, pode ser indicada a colocação de um filtro na veia cava inferior para impedir que coágulos migrem para os pulmões. É uma medida de proteção, não um tratamento da trombose em si.
A remoção cirúrgica do coágulo é raramente necessária, reservada para casos muito específicos de TVP maciça com comprometimento da viabilidade do membro.
O uso de meia de compressão elástica é parte fundamental do tratamento da TVP e não deve ser negligenciado.
A compressão reduz o edema, alivia a dor, melhora o retorno venoso e, principalmente, reduz o risco de síndrome pós-trombótica. Estudos demonstram que o uso regular e correto de meia de compressão durante pelo menos 2 anos após a TVP reduz significativamente a incidência de síndrome pós-trombótica.
A meia indicada para TVP é diferente das meias para varizes comuns. Deve ter graduação de compressão adequada e ser utilizada diariamente desde a manhã até dormir, por período definido pelo especialista.
Essa é uma das perguntas mais buscadas na SERP e merece resposta direta.
Ao contrário do que muitos pacientes acreditam, o repouso absoluto em cama não é indicado na TVP. A mobilização precoce, com caminhadas leves usando meia de compressão, é segura e benéfica para a recuperação. O repouso prolongado pode aumentar o risco de progressão da trombose.
Interromper o anticoagulante antes do tempo indicado aumenta significativamente o risco de progressão da trombose e de embolia pulmonar. Qualquer ajuste na medicação deve ser feito com orientação do especialista.
Viagens longas, especialmente aéreas, aumentam o risco de progressão da TVP. Durante o tratamento, viagens devem ser planejadas com o médico, que pode recomendar hidratação, movimentação frequente e uso de compressão adequada.
Anti-inflamatórios, alguns antibióticos e suplementos naturais podem interferir na eficácia do anticoagulante. Qualquer medicamento novo deve ser comunicado ao especialista antes do uso.
Identificar a causa da TVP é tão importante quanto tratá-la. A investigação permite:
Os exames habitualmente solicitados incluem hemograma, coagulograma, pesquisa de trombofilias quando indicado, marcadores inflamatórios e de função renal e hepática. Em pacientes sem causa aparente, especialmente acima de 50 anos, pode ser indicada investigação oncológica.
A TVP exige decisão rápida. O diagnóstico e o início do tratamento precisam acontecer logo após o início dos sintomas. Por isso, quando um paciente chega ao consultório com suspeita de TVP, o ultrassom Doppler é solicitado de forma imediata.
Um ponto que destaco sempre: a anticoagulação trata a TVP, mas a compressão previne a síndrome pós-trombótica. As duas precisam andar juntas. Pacientes que anticoagulam corretamente, mas não usam meia de compressão têm risco significativamente maior de desenvolver sequelas venosas crônicas que comprometem a qualidade de vida a longo prazo.
A Dra. Andressa Louzada realiza o tratamento da trombose venosa profunda em São Paulo com abordagem individualizada, baseada nas diretrizes mais atuais da cirurgia vascular. A Dra. Andressa Louzada tem grande experiência em anticoagulação de trombose em casos complexos e é autora de diversos trabalhos relacionados ao tema:
Temporal trend in venous thromboembolism hospitalization rates in Brazil.
Soares Oliveira Portela F, Wolosker N, Louzada ACS, Portugal MFC, Fiorelli Alexandrino da Silva M, Lopes Cintra D, Girardi GPSSM, Fioranelli A, Teivelis MP.Rev Assoc Med Bras (1992). 2025 Mar 31;71(2):e20240608. doi: 10.1590/1806-9282.20240608. eCollection 2025.PMID: 40172380
Epidemiology of the use of inferior vena cava filters in Brazil between 2008 and 2019.
Louzada ACS, Diamante Leiderman DB, Alexandrino da Silva MF, Cassino Portugal MF, Carlos de Campos Guerra J, Teivelis MP, Wolosker N.Vascular. 2024 Oct;32(5):1092-1098. doi: 10.1177/17085381231164923. Epub 2023 Mar 21.PMID: 36943392
A avaliação inclui exame clínico detalhado, ultrassom Doppler venoso quando indicado, definição da estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente e acompanhamento para prevenção de recorrências e da síndrome pós-trombótica.
O tratamento é planejado conforme as características de cada caso, considerando fatores como a localização e a extensão da trombose, o risco de embolia pulmonar, a presença de doenças associadas e a necessidade de anticoagulação, compressão elástica ou procedimentos específicos quando indicados.
O tratamento padrão da TVP é a anticoagulação. A escolha do anticoagulante mais adequado depende do perfil do paciente, da causa identificada e de outras condições clínicas. Não existe um anticoagulante universalmente superior — a indicação é sempre individualizada pelo especialista.
A duração mínima é de 3 meses para TVP provocada por fator transitório. Para TVP não provocada ou com fatores de risco permanentes, o tratamento pode se estender por 6 meses, 1 ano ou tempo indeterminado. A decisão é baseada no equilíbrio entre o risco de recorrência da trombose e o risco de sangramento com o uso prolongado do anticoagulante.
Repouso absoluto em cama não é recomendado. A mobilização precoce com caminhadas leves e uso de meia de compressão é segura e benéfica. Não se deve suspender o anticoagulante sem orientação médica, usar medicamentos que interfiram na anticoagulação sem comunicar o especialista ou realizar viagens longas sem planejamento prévio.
O tratamento da TVP é dividido em três fases: fase aguda, nas primeiras 1 a 2 semanas, com anticoagulação intensiva para estabilizar o coágulo e reduzir o risco de embolia pulmonar; fase de manutenção, de 3 a 6 meses, com continuidade da anticoagulação para permitir a resolução do coágulo; e fase de prevenção de longo prazo, com reavaliação da necessidade de manter a anticoagulação e medidas para prevenir recorrência.
A TVP tratada adequadamente resolve na maioria dos casos, com dissolução do coágulo e restabelecimento do fluxo venoso. No entanto, em alguns pacientes pode haver dano residual às válvulas venosas, levando à síndrome pós-trombótica. O tratamento correto e o uso rigoroso de compressão elástica reduzem significativamente o risco dessa complicação.
Sim. Após o início da anticoagulação e conforme orientação médica, a mobilização precoce costuma ser recomendada. Caminhadas leves associadas ao uso correto da meia de compressão ajudam o retorno venoso e não aumentam o risco de o coágulo “se soltar”. O repouso absoluto, que era recomendado no passado, hoje não faz parte da conduta para a maioria dos pacientes.
CRM-SP 182973 • RQE 93020 • Corpo Clínico Einstein e Vila Nova Star
Dra. Andressa Louzada é cirurgiã vascular e endovascular com formação pela USP e Harvard University, além de atuação no Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Vila Nova Star. Sua trajetória reúne assistência médica, pesquisa científica e participação em projetos de inovação em cirurgia endovascular.
Dedica-se ao tratamento de varizes, lipedema, trombose, aneurismas e outras doenças vasculares, oferecendo uma abordagem individualizada baseada em evidências, tecnologia e avaliação completa da circulação.
Avaliação individualizada e plano de tratamento personalizado apra seu caso