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Início » Tratamento de Varizes
Varizes não são apenas um problema estético. São o sinal visível de uma doença chamada insuficiência venosa crônica (IVC), que pode causar dor, inchaço, sensação de peso nas pernas, câimbras e, nos casos mais avançados, manchas na pele e úlceras de difícil cicatrização.
O tratamento das varizes evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje, a maioria dos casos pode ser resolvida em consultório, sem internação, sem cortes e com retorno rápido às atividades. Mas a escolha da técnica certa depende do tipo de variz, do calibre da veia, da presença de refluxo venoso e das características individuais de cada paciente.
As varizes são veias dilatadas, tortuosas e visíveis sob a pele, resultantes do mau funcionamento das válvulas venosas. Em condições normais, essas válvulas abrem e fecham para impedir que o sangue retorne para baixo pela força da gravidade. Quando falham, o sangue se acumula nas veias, aumentando a pressão dentro delas e causando a dilatação progressiva.
Esse processo é chamado de insuficiência venosa crônica e afeta mais da metade da população geral. Os principais fatores de risco incluem predisposição genética, gestação, trabalho prolongado em pé, obesidade, sedentarismo e envelhecimento.
Varizes não tratadas tendem a progredir. O que começa como um incômodo estético pode evoluir para sintomas importantes como edema, dor, alterações de pele e úlceras venosas.
O mapeamento venoso com ultrassom Doppler colorido é o exame fundamental antes de qualquer tratamento de varizes. Ele permite identificar:
Sem esse mapeamento, qualquer tratamento é empírico. O ultrassom Doppler define a estratégia terapêutica correta e evita recidivas precoces por tratamento incompleto da causa do problema.
A escleroterapia é o tratamento mais utilizado para vasinhos e varizes de pequeno e médio calibre. Consiste na injeção de uma substância esclerosante diretamente na veia, que provoca uma reação inflamatória controlada, levando ao fechamento e à reabsorção progressiva do vaso.
Existem duas formas principais:
Indicada para telangiectasias e vasinhos superficiais. A substância mais utilizada é o polidocanol, que tem excelente perfil de segurança e baixo índice de reações adversas. O procedimento é realizado em consultório com agulhas muito finas, sem necessidade de anestesia.
A mesma substância esclerosante é misturada com ar para formar uma microespuma, que preenche e fecha veias de maior calibre. A guia por ultrassom permite tratar veias profundas e de difícil visualização a olho nu com precisão e segurança. Estudos demonstram ótima eficácia dos casos após seguimento de 3 meses a 10 anos.
O laser transdérmico aplica energia luminosa diretamente sobre a pele, na região da variz ou veia reticular. O calor gerado coagula e fecha os vasinhos superficiais sem necessidade de agulhas ou injeções, mas pode ser associado à escleroterapia para resultados mais completos.
A ablação por radiofrequência é atualmente um dos tratamentos de referência para varizes calibrosas e, principalmente, insuficiência das veias safenas. Um cateter é introduzido na veia por uma pequena punção, guiado por ultrassom, e a energia de radiofrequência aquece e fecha a veia de dentro para fora.
O procedimento é realizado sob anestesia local tumescente, sem cortes. O paciente retorna às atividades leves no mesmo dia ou no dia seguinte. As diretrizes da Sociedade Americana e Europeia de Cirurgia Vascular recomendam a ablação endovenosa térmica como tratamento de primeira escolha para insuficiência da veia safena magna, em preferência à ligadura e fleboextração cirúrgica.
Princípio semelhante à radiofrequência, mas utilizando energia de laser em vez de radiofrequência. Um cateter com fibra óptica é introduzido na veia e o laser fecha o vaso com calor preciso e controlado.
Ambas as técnicas, radiofrequência e laser endovenoso, apresentam resultados equivalentes em eficácia e segurança nos estudos comparativos. A escolha entre elas depende da anatomia da veia.
A microcirurgia de varizes, também chamada de microflebectomia, é realizada por meio de micropunções na pele para a remoção de varizes calibrosas de pequeno, médio e grande porte que estão próximas à superfície. Pode ser realizada como procedimento complementar à ablação endovenosa para tratar varicosidades tributárias no mesmo tempo cirúrgico.
A cirurgia convencional, com ligadura alta da veia safena e fleboextração, foi durante décadas o padrão de tratamento para varizes calibrosas. Hoje, foi amplamente substituída pelas técnicas endovenosas, que oferecem resultados equivalentes com menor morbidade e recuperação mais rápida.
O tratamento correto e bem indicado oferece resultados duráveis. As veias tratadas não voltam, pois são eliminadas ou fechadas definitivamente. No entanto, a doença venosa crônica é uma condição crônica e progressiva. Novas varizes podem se desenvolver com o tempo, especialmente se os fatores de risco não forem controlados.
Por isso, o tratamento das varizes não termina com o procedimento. O acompanhamento periódico, o uso de meias de compressão quando indicado e o controle dos fatores de risco são parte indissociável do cuidado a longo prazo.
O Brasil é um dos países com maior volume de cirurgias de varizes do mundo. Em um estudo meu publicado nos Annals of Vascular Surgery analisando 869.220 procedimentos realizados ao longo de 12 anos no sistema público brasileiro, foi possível identificar tendências importantes na transição das técnicas cirúrgicas abertas para as abordagens minimamente invasivas, com impacto direto nos custos e na mortalidade associada ao tratamento.
Outro estudo meu publicado na Revista da Associação Médica Brasileira comparou diretamente a obliteração endovenosa com a cirurgia convencional de extração da veia safena em pacientes com varizes primárias, demonstrando resultados funcionais equivalentes com vantagem das técnicas minimamente invasivas em termos de recuperação e custos.
Esses dados reforçam que as técnicas endovenosas modernas são não apenas eficazes, mas também mais acessíveis e seguras do que os procedimentos abertos tradicionais para a grande maioria dos pacientes.
O maior erro que vejo no tratamento de varizes é tratar o que aparece sem investigar a causa. Tratar os vasinhos visíveis sem identificar e corrigir o refluxo venoso subjacente é como pintar uma parede úmida sem resolver o vazamento. O resultado estético pode melhorar temporariamente, mas a recidiva é praticamente certa.
Por isso, toda avaliação começa pelo ultrassom Doppler. É ele que define se há insuficiência das veias safenas, se existem veias perfurantes incompetentes e qual a estratégia mais adequada para cada caso.
Na prática, associo técnicas diferentes no mesmo procedimento para um resultado mais completo e duradouro.
Minha formação em cirurgia vascular foi realizada integralmente na Faculdade de Medicina da USP, com aprimoramento no Hospital Israelita Albert Einstein, fellowship na Harvard School of Public Health e doutorado em cirurgia endovascular robótica pelo Einstein. Publiquei pesquisas sobre o tratamento de varizes em periódicos internacionais, incluindo o maior estudo epidemiológico sobre cirurgias de varizes já realizado no Brasil e um ensaio clínico randomizado comparando técnicas endovenosas e cirurgia aberta. Essa produção científica informa diretamente as decisões que tomo no consultório.
A Dra. Andressa Louzada atende em São Paulo, oferecendo avaliação e tratamento completo para varizes e doenças venosas crônicas. O atendimento é realizado com mapeamento venoso por ultrassom Doppler no consultório, seguido de planejamento individualizado e execução das técnicas mais adequadas para cada caso.
Com doutorado em cirurgia endovascular robótica pelo Hospital Israelita Albert Einstein e fellowship na Harvard School of Public Health, a Dra. Andressa está entre os poucos cirurgiões vasculares do Brasil com formação científica avançada especificamente em cirurgia endovascular robótica. Essa especialização, aliada à atuação como pesquisadora e professora no Einstein, garante acesso ao que há de mais atual na medicina vascular.
Para pacientes que buscam tratamento de varizes em São Paulo com base em evidências científicas e abordagem minimamente invasiva, o primeiro passo é a consulta de avaliação.
Fontes:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34942339/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41895586/
CRM-SP 182973 • RQE 93020 • Corpo Clínico Einstein e Vila Nova Star
Dra. Andressa Louzada é cirurgiã vascular e endovascular com formação pela USP e Harvard University, além de atuação no Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Vila Nova Star. Sua trajetória reúne assistência médica, pesquisa científica e participação em projetos de inovação em cirurgia endovascular.
Dedica-se ao tratamento de varizes, lipedema, trombose, aneurismas e outras doenças vasculares, oferecendo uma abordagem individualizada baseada em evidências, tecnologia e avaliação completa da circulação.
Avaliação individualizada e plano de tratamento personalizado apra seu caso